Kleyzer Seixas, do A Tarde On Line
Kleyzer Seixas / Agência A Tarde
Quem vê
os brincos, pulseiras, colares, anéis, chaveiros, pufs, poltronas e até camas
produzidos pelas cooperativas baianas não imagina o processo de produção pelo
qual passaram até chegar ao formato final. Muitos destes acessórios e móveis
são feitos a partir da reciclagem de garrafas pet, responsável pela
embalagem de mais de 60% do refrigerante consumido no Brasil. Em Salvador, duas cooperativas, pelo menos, se dedicam a
agregar valor ao plástico.
Na Bahia,
cooperativas como a Camapet e a Novo de Novo se dedicam ao trabalho. A Novo de Novo
produz pufs e poltronas há um ano. O material utilizado na fabricação dos
móveis é comprado na mão de catadores por R$ 0,60 o quilo. Depois, as
garrafas são lavadas, empilhadas e transformam-se em peças bastante originais, que
são vendidas entre R$ 50,00 e R$ 150,00.
O
presidente da Camapet, Joilson Santana, conta que a atividade também é
realizada de forma independente por muitas pessoas em todo o Estado. Para
ele, a intenção de transformar o pet em outros bens é valorizar o
material e enriquecer a oferta de produtos artesanais. A empresa resolveu
investir na produção de bijuterias há cerca de um ano, depois de iniciar a
atividade vendendo as embalagens coletadas pelos funcionários para o mercado do
sul e sudeste do país.
Michele
Almeida, de 21 anos, Renata França, 20, e Geovani Bispo,
19, trabalham com a confecção dos acessórios na Camapet, localizada na
Baixa do Fiscal, na Cidade Baixa. Depois de aprender a produzir o material
há dois anos, Geovani ensinou o ofício para Michele e Renata. Com a orientação
de uma professora de design da
Universidade Estadual da Bahia, passou seis meses estudando corte e modelagem.
O
trabalho é realizado de segunda a sexta. A fabricação de cada peça leva, em
média, de 20 a 60 minutos. Tudo começa com a higienização da
garrafa, quando é retirado o rótulo e lavada a embalagem. Depois, a
garrafa passa pelo equipamento de filetada, onde é cortada em tiras para, na
seqüência, ser enrolada em um perfil, que dá forma ao material.
A
depender da peça, ela pode ganhar miçangas ou outro tipo de adorno. O resultado
são bijuterias originais e diferentes, que carregam a vantagem de colaborar com
a preservação do meio ambiente, já que evitam que os
plásticos sejam jogados de forma aleatória na natureza. As peças, normalmente,
são comercializadas por preços que variam de R$ 3,00 a R$ 15,00.
Mercado difícil - Apesar do empenho das duas cooperativas, o mercado ainda
é difícil para quem trabalha no segmento. Os jovens da Camapet, por
exemplo, só conseguem emplacar suas produções em feiras, escolas e
departamentos públicos. Em alguns meses, chegam a expor cinco vezes nesses
locais. Em outros, não há uma exposição sequer e o trabalho fica encalhado, na
sede da empresa, onde aparecem raríssimos consumidores. Para driblar as
dificuldades, pensam em abrir um pequeno negócio.
O grupo
de trabalhadores da Novo de Novo tem o mesmo objetivo, já que hoje os móveis
são vendidos no local onde são fabricados. Embora a maioria dos clientes seja
de outros bairros da cidade, os funcionários da cooperativa do Bairro da Paz
planejam montar uma loja em outro local para atrair mais consumidores, conta
Ana Claudia Santos, uma das responsáveis pela produção.
Eles
pontuam, no entanto, a dificuldade de emplacar peças feitas com
material reciclado. Os produtores das bijuterias já perderam as contas do
quanto deixaram de vender por causa da matéria-prima e dizem que é comum algumas
pessoas desistirem de levar o produto ao saber que foi feito com material
reutilizado. “Eles não nos dizem, mas nós percebemos, porque se
empolgam, dizem que a peça é linda e dão para trás quando são informadas que é
feita a partir de pet. Muita gente acha que tudo que é reciclável é lixo. Para
nós, pelo contrário, tudo que é reutilizável é luxo”,
acrescenta.
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