segunda-feira, 2 de abril de 2012

Reciclagem: cooperativas investem no diferencial



Kleyzer Seixas, do A Tarde On Line
Kleyzer Seixas / Agência A Tarde
Quem vê os brincos, pulseiras, colares, anéis, chaveiros, pufs, poltronas e até camas produzidos pelas cooperativas baianas não imagina o processo de produção pelo qual passaram até chegar ao formato final. Muitos destes acessórios e móveis são feitos a partir da reciclagem de garrafas pet, responsável pela embalagem de mais de 60% do refrigerante consumido no Brasil. Em Salvador, duas cooperativas, pelo menos, se dedicam a agregar valor ao plástico.
Na Bahia, cooperativas como a Camapet e a Novo de Novo se dedicam ao trabalho. A Novo de Novo produz pufs e poltronas há um ano. O material utilizado na fabricação dos móveis é comprado na mão de catadores por R$ 0,60 o quilo. Depois, as garrafas são lavadas, empilhadas e transformam-se em peças bastante originais, que são vendidas entre R$ 50,00 e R$ 150,00.
O presidente da Camapet, Joilson Santana, conta que a atividade também é realizada de forma independente por muitas pessoas em todo o Estado. Para ele, a intenção de transformar o pet em outros bens é valorizar o material e enriquecer a oferta de produtos artesanais. A empresa resolveu investir na produção de bijuterias há cerca de um ano, depois de iniciar a atividade vendendo as embalagens coletadas pelos funcionários para o mercado do sul e sudeste do país.
Michele Almeida, de 21 anos, Renata França, 20, e Geovani Bispo, 19, trabalham com a confecção dos acessórios na Camapet, localizada na Baixa do Fiscal, na Cidade Baixa. Depois de aprender a produzir o material há dois anos, Geovani ensinou o ofício para Michele e Renata. Com a orientação de uma professora de design da Universidade Estadual da Bahia, passou seis meses estudando corte e modelagem.
O trabalho é realizado de segunda a sexta. A fabricação de cada peça leva, em média, de 20 a 60 minutos. Tudo começa com a higienização da garrafa, quando é retirado o rótulo e lavada a embalagem. Depois, a garrafa passa pelo equipamento de filetada, onde é cortada em tiras para, na seqüência, ser enrolada em um perfil, que dá forma ao material.
A depender da peça, ela pode ganhar miçangas ou outro tipo de adorno. O resultado são bijuterias originais e diferentes, que carregam a vantagem de colaborar com a preservação do meio ambiente, já que evitam que os plásticos sejam jogados de forma aleatória na natureza. As peças, normalmente, são comercializadas por preços que variam de R$ 3,00 a R$ 15,00.
Mercado difícil - Apesar do empenho das duas cooperativas, o mercado ainda é difícil para quem trabalha no segmento. Os jovens da Camapet, por exemplo, só conseguem emplacar suas produções em feiras, escolas e departamentos públicos. Em alguns meses, chegam a expor cinco vezes nesses locais. Em outros, não há uma exposição sequer e o trabalho fica encalhado, na sede da empresa, onde aparecem raríssimos consumidores. Para driblar as dificuldades, pensam em abrir um pequeno negócio.
O grupo de trabalhadores da Novo de Novo tem o mesmo objetivo, já que hoje os móveis são vendidos no local onde são fabricados. Embora a maioria dos clientes seja de outros bairros da cidade, os funcionários da cooperativa do Bairro da Paz planejam montar uma loja em outro local para atrair mais consumidores, conta Ana Claudia Santos, uma das responsáveis pela produção.
Eles pontuam, no entanto, a dificuldade de emplacar peças feitas com material reciclado. Os produtores das bijuterias já perderam as contas do quanto deixaram de vender por causa da matéria-prima e dizem que é comum algumas pessoas desistirem de levar o produto ao saber que foi feito com material reutilizado. “Eles não nos dizem, mas nós percebemos, porque se empolgam, dizem que a peça é linda e dão para trás quando são informadas que é feita a partir de pet. Muita gente acha que tudo que é reciclável é lixo. Para nós, pelo contrário, tudo que é reutilizável é luxo”, acrescenta.

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